Prefácio

Nós vos saudamos, Maria. Nós vos saudamos Jośe. E nós saudamos os artistas Brasileiros que tiveram o silêncio do resto do mundo quando seus trabalhos e seus corpos foram censurados, mutilados desaparecidos.

Manifesto

1 – O espaço é livre. Todos tem Direito de ocupar seu espaço.
2 – O tempo é livre. Todos tem que viver em seu tempo e fazer jus as promessas, esperanças e armadilhas.
3 – A colheita é livre. Todos tem o direito de colher e se alimentar do trigo da criação.
4 – A semente é livre. Todos tem o direito de semear suas idéias sem qualquer coerção da INTELIGÊNCIA ou da BURRICE.
5 – Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.
6 – “Todos nós” somos escritores, donas de casa, patrões e empregados, clandestinos e caretas, sábios e loucos.
7 – E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo o dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra.

Saudação final do 11º manifesto

Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes.
Escrito por: Raul Seixas, Paulo Coelho, Sylvio Passos, Christina Oiticica, Toninho Buda, Ed Cavalcanti.

A HUMANIDADE

Quando indagado sobre a evolução da humanidade, Raul Seixas responde:

“Éssa é uma pergunta que exige muita reflexão. Tem um livro meu de metafísica em que questiono a tese aristotélica das cinco perguntas básicas: porque, quem, onde, como, qual… Não existem perguntas porque não existem respostas. Não existem respostas porque não existem perguntas. Eu não pergunto absolutamente nada. As coisas são, e pronto. Nós seres humanos, somos verbos. Somos e estamos, é a única coisa que a gente sabe. Conjecturar, quem a de? E é bonito assumir essa coisa de somente ser… Está todo mundo perguntando até hoje e ninguém tem resposta. Mas ser por ser é bom, torna a vida mais leve e menos violenta. Se todo mundo pensasse assim, as coisas certamente seriam mais fáceis…”